Rotary, Rotary International

Um velho remédio para a solidão

Desde o início, o Rotary tem sido um lugar de ligação genuína.

Por John Hewko

No verão de 1910, enquanto visitava o primo em Chicago, P.A.C. McIntyre, um empresário de Winnipeg, ouviu falar de um clube onde pessoas de diferentes ofícios e profissões se reuniam semanalmente para partilhar amizade e realizar serviço comunitário. Como os membros do clube rodavam as reuniões pelos escritórios uns dos outros, escolheram “Rotary” como nome apropriado. Interessado, McIntyre encontrou-se com Paul Harris, o jovem advogado de Chicago que tinha fundado o primeiro clube Rotary cinco anos antes.

Durante a conversa, Harris explicou que o clube pretendia recuperar o sentido de camaradagem e comunidade que conhecera ao crescer numa pequena cidade do Vermont, mas que não encontrara na vida urbana. “Por todo o lado havia pessoas, mas em lado nenhum um rosto familiar”, recordou Harris na sua autobiografia ao descrever a solidão e a alienação social que ele e outros tinham vivido. Queria criar um espaço onde as pessoas pudessem reunir-se — não apenas para fazer negócios, mas para formar ligações duradouras e genuínas.

Impressionado com a visão de Harris e com o sucesso inicial do Rotary em Chicago e noutras cidades dos EUA, McIntyre regressou à sua terra natal e formou o primeiro clube Rotary fora dos EUA, em 1912. Esse único clube em Winnipeg depressa se tornou dezenas e depois centenas no Canadá, à medida que a paixão pela camaradagem e pelas boas ações se espalhou pelo país.

Membros do Rotary Club de Winnipeg viajam de comboio para uma conferência distrital em 1932.
Arquivo da Rotary International

Nos últimos anos, tem-se falado muito sobre o isolamento social ou a “epidemia da solidão”. Embora muitas vezes seja apresentada como uma doença moderna ou um efeito prolongado da pandemia de COVID-19, a solidão está longe de ser um fenómeno novo, como demonstra a história do Rotary. No início do século XX, a solidão e o isolamento começaram a ser cada vez mais reconhecidos como um problema social na América do Norte, porque a rápida urbanização deslocou populações de pequenas comunidades rurais, mais unidas, para existências citadinas mais anónimas. Em resposta a esta crise social, organizações como o Rotary, o Kiwanis e os Lions surgiram e prosperaram.

Infelizmente, na última década, a ideia de pertencer a uma organização cívica tradicional passou a ser vista como obsoleta. Muitos consideram estes grupos relíquias da geração dos avós e preferem juntar-se a comunidades online. Apesar de estarem mais ligados digitalmente do que nunca, essas mesmas pessoas têm dificuldade em criar relações profundas e significativas que dão propósito à vida.

O inquérito de 2021 da Commonwealth Fund, dirigido a adultos mais velhos, classificou o Canadá como o país mais solitário entre 11 nações desenvolvidas. Segundo o Statistics Canada, quase 1 em cada 4 pessoas entre os 15 e os 24 anos afirma sentir-se sempre ou frequentemente sozinha.

A solidão é mais do que uma luta pessoal; em 2023, o Dr. Vivek Murthy, então cirurgião-geral dos EUA, declarou a solidão uma crise de saúde pública comparável ao tabagismo ou à obesidade, em termos dos seus efeitos prejudiciais.

Não precisamos de ir longe para procurar uma cura. Os laços históricos do Canadá com o Rotary fazem do país o lugar ideal para um antídoto contra a epidemia da solidão. Embora aderir a organizações cívicas possa parecer ultrapassado para alguns, tem-se revelado eficaz na criação de ligações — tal como a canja caseira da avó, que, após muitas gerações, continua a oferecer colheres de conforto.

No seu cerne, o Rotary e outros grupos complementam os governos ao responder a necessidades sociais e ao defender mudanças. A Convenção do Rotary de 2025, em Calgary, que reuniu 15.000 membros de mais de 120 países e regiões, oferece um lembrete poderoso da força das organizações de serviço.

Atualmente, a tendência para o isolacionismo está a ganhar terreno em muitos países; em alguns casos, vem acompanhada de mudanças drásticas nas políticas governamentais que levaram a cortes significativos no financiamento de programas humanitários e de desenvolvimento económico. As organizações cívicas estão a intervir para preencher lacunas em serviços sociais essenciais. Exercem um poder brando significativo e projetam os seus valores de compaixão e generosidade em questões universais, desde a saúde global e resposta a desastres até programas de desenvolvimento e educação.

Há mais de 100 anos que as organizações cívicas promovem os tipos de ligações que nos sustentam. Este remédio comprovado pelo tempo pode fazer milagres numa época em que a solidão ameaça o nosso bem-estar coletivo.

John Hewko é secretário-geral e CEO do Rotary International.

Esta história foi originalmente publicada na edição de janeiro de 2026 da revista Rotary Canada.